Decidi emprestar gratuitamente meu imóvel a um amigo. Preciso fazer contrato?

Atualizado: 12 de Mar de 2019


Ceder um imóvel temporariamente e de forma gratuita pode parecer coisa simples, pois as intenções geralmente envolvem solidariedade e boa fé, esta modalidade de empréstimo é séria e exige cautela na negociação.

De acordo com o Artigo 579 do Código Civil Brasileiro:

Código Civil. Art. 579. O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis. Perfaz-se com a tradição do objeto.

“o Comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis”, ou seja, é o empréstimo daquele bem que não poderá ser substituído por outro da mesma natureza.

Trata-se de um acordo onde o proprietário (comodante) cede ao interessado (comodatário) bem infungível, para utilização temporária. O Comodato pode ser verbal, entretanto, a formalização de um contrato específico permite que o proprietário possa se resguardar de surpresas futuras.

Ao final do acordo, o comodatário tem o dever de devolver o objeto emprestado, mas é importante saber quando e como este empréstimo terminará, visto que alguns contratempos podem surgir no período de devolução do imóvel. Neste sentido a elaboração de um contrato formal torna-se fundamental.

No contrato de Comodato as partes poderão descrever a situação real em que se encontra o objeto emprestado, qualificar todos os  envolvidos, enfatizar que o comodatário não poderá exigir do comodante as despesas decorrentes da utilização do bem emprestado, conforme preceitua o artigo 584 do Código Civil Brasileiro e estabelecer a vigência do contrato.

Código Civil. Art. 584. O comodatário não poderá jamais recobrar do comodante as despesas feitas com o uso e gozo da coisa emprestada.

Quando existe a determinação expressa do período de duração do acordo, algumas medidas de precaução podem ser asseguradas. Uma destas medidas diz respeito à possibilidade de se precaver caso o comodante venha optar por reincidir o comodato antes mesmo do prazo acordado terminar. Se assim ocorrer, a parte afetada poderá ajuizar uma ação de indenização por eventuais perdas e danos decorrentes da rescisão prematura.

Se as partes não convencionarem um prazo para o empréstimo, ficará subentendido que o bem imóvel poderá ser utilizado pelo tempo que o comodatário achar necessário. Isso pode ser prejudicial ao comodante que ficará sujeito à vontade do comodatário em devolver o imóvel.

Segundo o artigo 581 do Código Civil Brasileiro, na ausência de prazo convencional, não pode o comodante:

Código Civil. Art. 581. Se o comodato não tiver prazo convencional, presumir-se-lhe-á o necessário para o uso concedido; não podendo o comodante, salvo necessidade imprevista e urgente, reconhecida pelo juiz, suspender o uso e gozo da coisa emprestada, antes de findo o prazo convencional, ou o que se determine pelo uso outorgado.

Outra medida de precaução está relacionada com a recusa do comodatário em restituir o objeto do empréstimo ao término da vigência do contrato. Em termos jurídicos, esta falta de cumprimento do contrato com a não devolução do bem emprestado no prazo acordado é caracterizada como mora, ou seja, um atraso na devolução. Neste caso, o artigo 582 do Código Civil Brasileiro diz que:

Código Civil. Art. 582. O comodatário é obrigado a conservar, como se sua própria fora, a coisa emprestada, não podendo usá-la senão de acordo com o contrato ou a natureza dela, sob pena de responder por perdas e danos. O comodatário constituído em mora, além de por ela responder, pagará, até restituí-la, o aluguel da coisa que for arbitrado pelo comodante.

Esta medida de precaução serve para trazer segurança econômica à parte prejudicada, mas não é definitiva, visto que não há previsão legal para transformação do contrato de comodato em uma locação.

Também merece destaque a qualificação das partes no Comodato, relacionando dados que possibilitem identificar perfeitamente todos os envolvidos, tais como:

Nome completo;Números de identificação RG e CPF;Estado civil (qualificando também o cônjuge);Ocupação profissional; e Endereço completo.

Futuramente será importante ter registrado tudo o que foi estabelecido, firmando a assinatura de todos os envolvidos ao final do contrato.

Existem sim, muitos casos de comandatários que se recusam a devolver o objeto do empréstimo, e o problema se agrava quando o comodante realiza apenas um Comodato verbal. Nesta hipótese haverão sérias dificuldades em provar o empréstimo, relacionar as partes envolvidas e o prazo de duração do acordo.

Dessa forma, quando for emprestar um bem imóvel, não abra mão de celebrar um contrato expresso de Comodato, procure uma orientação jurídica para assessorar a elaboração dos termos e evite problemas futuros.


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