Riscos do Contrato de Gaveta: Vale a pena comprar imóvel já financiado?
- Mariana Gonçalves
- há 11 horas
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Comprar um imóvel é o objetivo de muitos brasileiros, mas as barreiras do financiamento bancário muitas vezes levam a alternativas arriscadas. Uma delas é a compra de imóvel já financiado através do popular "contrato de gaveta".
Embora pareça uma solução rápida para quem teve o crédito negado, essa prática esconde perigos jurídicos que podem transformar o sonho da casa própria em um processo judicial sem fim.
O que é o Contrato de Gaveta?
É um documento particular firmado entre comprador e vendedor sem a intervenção ou ciência da instituição financeira. Nele, o comprador assume as parcelas, mas perante o banco e o Registro de Imóveis, o vendedor continua sendo o dono.
Os 3 Principais Riscos de Comprar Imóvel já financiado com Contrato Particular
1. Você tem a Posse, mas não a Propriedade
No Direito Brasileiro, "só é dono quem registra". Como o contrato de financiamento permanece no nome do vendedor, você é apenas o possuidor.
O perigo: Após quitar as parcelas (daqui a 15 ou 20 anos), você dependerá da boa vontade do vendedor para assinar a escritura definitiva. Se ele sumir, você terá que judicializar a questão.
2. Penhora por Dívidas do Vendedor
Este é um dos riscos mais graves. Como o imóvel legalmente ainda pertence ao vendedor:
Se o vendedor sofrer uma execução fiscal, trabalhista ou cível, o imóvel pode ser penhorado para pagar dívidas dele.
Embora a Súmula 84 do STJ permita defender a posse, você terá que arcar com custos advocatícios e anos de processo para provar que o imóvel é seu.
3. Falecimento do Vendedor e Inventário
Se o vendedor falecer antes da transferência da escritura:
O imóvel entrará automaticamente no inventário dos herdeiros.
Se os herdeiros agirem de má-fé ou desconhecerem o contrato de gaveta, eles podem reivindicar o bem como parte da herança.
Como mitigar os riscos?
Se você já realizou ou pretende realizar esse tipo de negócio, alguns instrumentos jurídicos são indispensáveis para aumentar sua segurança:
Procuração em Causa Própria: Diferente da procuração comum, ela não perde a validade com a morte do outorgante e dá poderes para transferir o imóvel para si mesmo.
Análise de Certidões: Verificar a vida financeira do vendedor antes de assinar qualquer papel.
Cláusulas de Irrevogabilidade: Garantir que o negócio não possa ser desfeito unilateralmente.
Nota importante: O contrato de gaveta não é ilegal, mas é juridicamente frágil. A assessoria especializada é o que separa um bom investimento de um prejuízo total.
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